A tese, por extenso.
Para quem quer entender o raciocínio antes de abrir o cap table. Este é o texto longo: como pensamos, o que colocamos na mesa, como a participação funciona e o que assinamos.
Voltar à versão curtaO problema que nos colocou nessa mesa
Existe um ponto na vida de uma startup em que a engenharia deixa de ser detalhe e passa a ser o teto. O produto está na rua, o cliente paga, a demanda cresce, e aí o que trava não é a ideia: é a capacidade de construir. Contratar time sênior custa caro, demora meses e exige alguém que saiba avaliar quem está contratando. Terceirizar com fornecedor comum resolve o sprint e devolve o problema no trimestre seguinte, com juros de dívida técnica.
É nesse ponto que entramos. Não como fornecedor que entrega o pedido e sai, mas como parceiro que assume a engenharia, responde por ela e é remunerado em participação, liberada conforme a entrega acontece e o negócio cresce.
O princípio: intencionais, não interesseiros
O nosso ganho não vem de arrancar a maior fatia possível. Vem da empresa triplicar, quadruplicar e avançar para as próximas rodadas. Isso não é discurso bonito: é a consequência lógica de como o modelo funciona.
Participação mal desenhada trava a captação seguinte, e captação travada é exatamente o oposto do que queremos. Nenhum fundo entra num cap table onde um parceiro operacional carrega quase um terço da empresa logo no começo. Por isso entrada modesta, progressão longa e teto explícito não são concessão ao founder: são defesa do nosso próprio retorno.
Vale mais um pedaço menor de uma empresa que cresce do que uma fatia grande de uma que estacionou. Dez por cento de uma companhia avaliada em cinquenta milhões supera trinta por cento de uma que travou em três.
O que colocamos na mesa
A espinha é engenharia: arquitetura, produto, escala, segurança e dado, conduzidos pelo método DeepCoder, que fixa os princípios antes da primeira linha, mantém rastro de cada decisão e coloca um responsável humano no fim de cada entrega.
A partir daí, o envolvimento é escolha sua. Em níveis mais altos entram planejamento estratégico, desenho de funil e processo comercial, direção de marketing, estrutura de atendimento e uma cadeira no board. Em todos eles vale a mesma regra: apoiamos com expertise, não executamos a operação no lugar do seu time. Quem vende, contrata e atende continua sendo você.
Os três níveis e as faixas de participação de cada um estão na página principal.
Como a participação funciona
Progressiva, nunca de uma vez. A liberação acontece por marcos, e os marcos andam em dois eixos ao mesmo tempo: o que a engenharia entregou e o que o negócio alcançou, como faturamento, retenção e evolução. Entrega sem resultado não libera. Resultado sem entrega também não.
Com número ancorado, não negociado no escuro. Partimos do valor de mercado da engenharia que entra, comparado ao valuation da empresa, com um prêmio pelo risco de receber depois e sem garantia. A conta fica aberta dos dois lados.
Com teto e com reversão. Cada acordo tem teto explícito. Se a entrega para, o vesting para, e a parcela não liberada não é devida.
Diluindo como todo mundo. Nas rodadas seguintes diluímos junto com os fundadores. Quando fizer sentido, negociamos direito de acompanhar rodadas futuras, em vez de tentar segurar percentual.
O instrumento jurídico
Nada nessa relação corre no aperto de mão. A sequência é sempre a mesma, e existe para proteger os dois lados:
- NDA, antes de qualquer conversa técnica de verdade. Você vai abrir número, código e estratégia, e isso precisa estar protegido desde o primeiro dia.
- MOU, quando os termos econômicos estão acordados. É o documento que registra nível de atuação, marcos, faixa de participação e prazos antes do contrato definitivo, para ninguém descobrir divergência no fim.
- Contrato de vesting, normalmente por opção de compra, com cliff, marcos verificáveis, teto, reversão e cláusula de saída.
Dois pontos que fazem parte de todo acordo, sem exceção. O código e a propriedade intelectual são da sua empresa desde o primeiro commit, com repositório e infraestrutura no nome dela: ninguém investe onde o parceiro retém o produto. E a relação é de entrega por resultado, sem subordinação, horário ou exclusividade, o que mantém a parceria no lugar certo também do ponto de vista trabalhista.
De onde vem o modelo
Isso não é invenção nossa. Lá fora, estúdios de venture como Idealab, Atomic, eFounders, High Alpha e Pioneer Square Labs criam empresas do zero e ficam com participações relevantes, justamente porque colocam time e método, não só capital. Agências que trocam desenvolvimento por equity em empresas já existentes praticam faixas menores. Conselheiros formalizam participação pequena com vesting curto, em contratos padronizados como o FAST, do Founder Institute. E o vesting com cliff é o padrão de startup no mundo inteiro.
O que fazemos é combinar essas peças com uma diferença: a nossa moeda de entrada é engenharia de verdade, feita por quem responde pelo resultado, e a fatia acompanha o tamanho do envolvimento que você escolher.
A régua de entrada
Para não gastar o seu tempo nem o nosso, o corte é objetivo: pelo menos R$5 mil por mês de receita recorrente ou dez clientes pagantes, mantidos por três meses. Vale o que for atingido primeiro, e a permanência por três meses é o que separa tração de um pico isolado.
A régua é baixa de propósito. Ela existe para deixar a ideação de fora, não para exigir escala: se você já passou disso com folga, melhor ainda; se ainda não chegou, o não é rápido e volta a valer quando chegar.
Em que setores entramos
Em qualquer um, desde que a startup esteja em tração. A preferência é de quem opera onde o erro tem custo, como saúde, fiscal, jurídico, setor público, ambientes regulados e dado sensível, porque é o território que a coderswise domina e onde a nossa engenharia rende mais.
Preferência não é exclusão, e há um motivo honesto para isso: para uma startup em tração, o software é o negócio. Se ele cai, queima runway e mata a empresa. O erro tem custo ali também, mesmo quando não é um custo regulatório.
O que pedimos de você
Números verdadeiros, cap table limpo, sócios alinhados e disposição para ouvir o que o dado diz, inclusive quando ele desmente a narrativa. Startup que precisa embelezar o próprio número para conseguir parceiro não precisa de parceiro: precisa de outro problema resolvido antes.
O que não fazemos
Não entramos em ideação, por mais interessante que seja a ideia. Não substituímos a liderança do negócio. Não trabalhamos como mão de obra barata disfarçada de sociedade. E não executamos a operação diária de vendas, marketing ou atendimento no lugar do seu time.
Como começa
Pela aplicação. Lemos tudo e respondemos, inclusive quando a resposta é não, que é o desfecho mais comum. Se fizer sentido, seguimos para a conversa com os founders, o diagnóstico técnico e a tese de valor com os números na mesa.